Olá, seja bem vindo(a) ao cesarcallegari.com.br

 
Pesquise sobre Cesar Callegari no Google
Pesquisa no site
Domingo, 05 de Setembro de 2010.
Início   Mapa do Site   Contato
      Vida
      Currículo Integral
      Currículo Resumido
      Agenda
      Apresentações
      Destaques
      Notícias
      Dúvidas/Respostas
      Projeções p/ Municípios
      Legislação
      Galeria de fotos
      Descrição
      Notícias
      Pareceres e Resoluções
      Galeria de fotos
      Assuntos
      Quadro Geral
      Notícias
      Interação Família Escola
      Reportagens
      Galeria de fotos
      Conheça o Instituto
      Notícias
      Galeria de Fotos
      Artigos
      Notícias
      Downloads
      Descrição
      Notícias
      Links da educação
      Galeria de fotos
      Contato

 

 

> Você está em: Início | Publicações | Artigos
  Artigos  

EDUCAÇÃO E INTERAÇÃO FAMÍLIA-ESCOLA

Por Cesar Callegari


Recentemente o Ministério da Educação brasileiro deflagrou uma campanha nacional pelos meios de comunicação exortando as famílias a uma maior participação nos processos educativos escolares de suas crianças e jovens. E fez isso diante da reiterada constatação da enorme influência dos pais no desenvolvimento dos estudantes. Hoje se sabe que, mais importante do que uma eventual cultura letrada no ambiente doméstico, são atitudes concretas de apoio e valorização da educação aquelas que mais interferem no rendimento escolar dos alunos. Gestos simples como organizar o espaço para o filho estudar, perguntar como foi o dia na escola e se interessar sinceramente sobre suas dificuldades e conquistas, transmitem uma sensação de que, no esforço de aprendizagem, a criança e o jovem não estão sozinhos, são visíveis, têm companhia. E não é preciso que os pais tenham tido estudo para que esse comportamento faça parte da vida em família. No fundo, importa mais a postura solidária do que a capacidade de transmitir conhecimentos e dar orientações. O mais complicado é fazer que as pessoas entendam que, em matéria de educação, a escola não é tudo e não pode tudo. E que há muito mais a ser feito pelos filhos e pelas escolas além de pagar impostos e mandá-los para lá.

O que se pode fazer para que as famílias se conscientizem do extraordinário valor dessa sua participação? Tanto mais no nosso caso, em que a maior parte da população possui um esquálido repertório escolar? Campanhas só não bastam. Como se sabe, só o peso de boas ideias e a força de bons propósitos não são suficientes para colocá-los em prática, por mais virtuosos que sejam. Mas há saídas.

Felizmente no Brasil real, quase sempre é possível encontrar casos que mostram como velhos problemas podem ser enfrentados de maneira inovadora. Sobre o problema da participação da comunidade e envolvimento das famílias, exemplo interessante acontece numa cidade típica, dessas que integram as nossas regiões metropolitanas. Trata-se de uma experiência educacional pioneira que pode ser aqui comentada como boa prática, uma vez que já foi avaliada e premiada pelo PNUD, estudada pela Unesco e transformada em proposta técnica recomendável para replicação em diferentes sistemas de ensino.

O Programa de Interação Família-Escola praticado nos últimos quatro anos em Taboão da Serra, cidade de 250 mil habitantes na Grande São Paulo, é uma dessas soluções concebidas e experimentadas com sucesso a partir de iniciativas de gente que leva muito a sério a missão do magistério.  Em Taboão da Serra, os professores visitam as famílias de seus alunos em casa. De todos os seus alunos. Conscientes do papel decisivo dos familiares para o êxito dos objetivos educacionais, lá os profissionais do ensino vão a eles em vez de esperarem sentados pela sua aproximação. E recebem incentivos para isso.

Para as famílias, a visita do professor em casa é um grande acontecimento. Não são poucos os relatos sobre pessoas, algumas muito humildes, que arrumam a casa, pintam e consertam o que está quebrado, separam o álbum de fotografias, tudo para receber a Senhora Professora, uma verdadeira celebridade. E é ali, distante da opressão institucional da escola, que a conversa íntima e pessoal se dá, com o foco na educação da criança ou do jovem. Uma chance privilegiada para que, em diálogo coloquial, os pais conheçam professor, escola, não raro os próprios filhos e, principalmente, os objetivos de aprendizagem estabelecidos para eles. Por outro lado, é fácil imaginar por que essas visitas constituem um acontecimento marcante e inesquecível para os meninos. É o professor visitando o seu território, o seu espaço, tocando e conhecendo as suas coisas. E no dia seguinte esse aluno já pode ser outro. Ontem apático e desinteressado, agora é participativo e mais atento. O espevitado bagunceiro da véspera pode ter se transformado no líder colaborativo, um parceiro daquela profissional que, há pouco, esteve em sua casa. Inúmeros relatos mostram o impacto profundo no ambiente de sala de aula quando as visitas começam a acontecer. Para os professores, individual e coletivamente, o programa representa uma oportunidade especial de reflexão sobre sua prática pedagógica e para o aperfeiçoamento de suas metodologias de ensino. Nesse sentido, apresenta-se como uma possibilidade inigualável de compreensão dos elementos extraescolares que determinam o desenvolvimento das crianças e dos jovens, bem como de análise permanente das potencialidades da escola como instituição significativa na vida dos alunos e de seus familiares. Além disso, esses contatos sensíveis permitem evidenciar os limites e necessidades dos profissionais da educação, assim como enriquecer seus instrumentos de integração participativa, social e política, com a sua comunidade. Isso tudo sem falar no aumento da autoestima desses profissionais, tratados com o devido prestígio por quem, para eles, são os mais importantes.

Assim, vão se construindo pontes entre esses dois mundos – os cidadãos e suas famílias, de um lado, e a escola, seus profissionais e seu projeto pedagógico, de outro – momentos complementares e interdependentes do processo de produção e reprodução social via Educação. Realidades que, ao se aproximarem e se tocarem, podem liberar a energia vital para os avanços necessários.

Os resultados têm sido excepcionais. As ações articuladas por esse programa, sobretudo a participação dos bons professores, trouxeram melhorias significativas para a educação municipal que, já em 2007, atingiu metas do IDEB fixadas pelo MEC para 2011 e reduziu o fracasso escolar para menos da metade. E note-se: tudo isso acontecendo numa cidade pobre, dessas que se formaram a partir da expansão desordenada dos grandes centros urbanos. Mas que também, como tantas outras, é território de conquistadores urbanos, cidades habitadas por gente decidida a superar limites, progredir, prosperar, vencer. Nesses lugares, a Educação tem significado especial para o povo, uma vez que é percebida como dispositivo capaz de alavancar sua ideia de progresso, seja para si, seja para os seus.

Essa experiência é aqui lembrada para sugerir que a correta percepção das potências e a adequada articulação entre os diferentes protagonistas do processo social, são chaves para a consecução de políticas que possam oferecer respostas rápidas e, ao mesmo tempo, consistentes, em matéria de Educação. E para advogar pela permanente necessidade de inventar modos e meios para que a dinâmica social perpasse o sistema educacional, inoculando-o com toda a sua riqueza e imprimindo um sentido de urgência, eficiência e eficácia na superação dos crônicos problemas que afligem esse setor decisivo para o desenvolvimento nacional.

* Texto publicado na edição nº. 23 da Revista Sociologia – Editora Escala.

Cesar Callegari. Sociólogo. Presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. Secretário Municipal de Educação de Taboão da Serra-SP. Presidente do Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada – IBSA. Presidente do Conselho de Acompanhamento e Controle Social do Fundeb no âmbito da União.  Foi secretário executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia, presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Educação – SP e deputado estadual por dois mandatos.
Site:
www.cesarcallegari.com.br – e-mail: cesarcallegari@uol.com.br

                                                                                                                                                                     Abril 2009

 

Mapa do Site
| Quem Sou | Política de Privacidade | Fale Comigo | Faça do Portal Cesar Callegari sua home page | Adicionar aos Favoritos

Instituto Brasileiro de Sociologia Aplicada - IBSA
Rua Maranhão, 584 cj. 94 - Higienópolis - São Paulo - SP - 01240-000 - 11-3825-7955
cesarcallegari@uol.com.br

Copyright © 2008, CESAR CALLEGARI - Todos os direitos reservados