CESAR CALLEGARI
por Vera Salles
Sociólogo, membro do Conselho Nacional de Educação, nasceu e vive em São Paulo. É autor de vários livros técnicos e tem um notável currículo de serviços prestados à educação, à cultura, à ciência e à democracia.
Começou sua carreira profissional no SENAI e foi Líder Sindical até 1984.
No Governo Montoro, foi Diretor do CEPAM – Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal, tendo participado da criação e gerenciamento de vários programas inovadores para municípios, como os Consórcios Intermunicipais e a Rede de Comunicação de Experiências Municipais – RECEM.
Foi Chefe de Gabinete da Secretaria Estadual da Educação (1987-88) e participou da implantação dos CEFAMs (Centros de Formação do Magistério) e da criação da FDE – Fundação para o Desenvolvimento da Educação onde foi o primeiro Presidente do Conselho Superior e, mais tarde, seu Diretor Executivo.
Na FDE (1991-94) foi responsável pelo maior programa de aperfeiçoamento de professores de todos os tempos, envolvendo 264 mil profissionais da educação. Liderou a execução do mais completo plano de obras escolares da história de São Paulo, com 60 novas escolas, 5 mil novas salas de aula e reforma de 6 mil prédios escolares. Na sua gestão foram implantados os primeiros centros de informática educacional e programas premiados como “Escola é Vida” (prevenção contra drogas e doenças sexualmente transmissíveis), a “Escola vai ao Teatro”, “Unidades Volantes de Manutenção” e o “Programa de Segurança Escolar (ASES)”.
Cesar Callegari foi um dos autores do consagrado programa Escola Padrão - de melhoria da educação básica paulista - e, na direção da FDE, foi seu principal executivo.
Eleito Deputado Estadual em 1994, exerceu dois mandatos consecutivos dedicados à causa da Educação. Foi eleito pela entidade “Voto Consciente” um dos melhores deputados nas duas legislaturas. Foi um crítico severo da política educacional dos governos Covas e Alkmin e combateu duramente a maneira como foi imposta a “aprovação automática dos alunos”, a “municipalização do ensino”, a redução do currículo nas escolas, a demissão de professores e as privatizações. Na época foi autor de 28 ações contra as medidas equivocadas do governo.
Foi Presidente da CPI da Educação que fez o governo ser condenado a devolver R$ 4,2 bilhões que haviam sido desviados da educação. A correção desses desvios e o retorno do dinheiro, até hoje estão presentes nos bônus salariais ainda pagos ao magistério paulista.
Callegari foi Presidente da Comissão de Educação da Assembléia Legislativa e é autor de várias leis como “O Programa de Incentivo Fiscal à Educação Básica” e da emenda garantindo recursos para universidades. Foi criador do Parlamento Jovem (estudantes assumem a função de deputados) e autor da primeira proposta de Plano Estadual de Educação.
Na área da Cultura Cesar Callegari também tem uma presença marcante. Foi Secretário Adjunto da Secretaria Estadual da Cultura (gestão Fernando Morais), responsável pela implantação das Oficinas Culturais no interior e na capital, da Universidade Livre de Música, e de consagrados programas de apoio ao cinema, ao livro e ao teatro.
Callegari foi Secretário Executivo (vice-ministro) do Ministério de Ciência e Tecnologia - MCT (2003-04) e foi responsável pelo maior reajuste dos últimos 15 anos nas bolsas CNPq de 40 mil cientistas e pesquisadores brasileiros. Pelo seu trabalho, foi condecorado pelo Presidente da República com a medalha Grã Cruz do Mérito Científico – a mais alta insígnia do País aos que contribuem com o progresso da ciência e da tecnologia. Em São Paulo, coordenou os Fóruns de Inovação Tecnológica e Inclusão Social – Programa do MCT para aproximar os cientistas e pesquisadores das empresas, ongs e gestores de políticas públicas de desenvolvimento econômico e social. Na Educação Superior, foi Diretor da Escola Superior de Sociologia e Política de São Paulo (1991-93) e Diretor do Centro de Pesquisas e Pós Graduação do UniFMU (2003). Foi conselheiro do Instituto Metropolitano de Altos Estudos.
Cesar Callegari exerceu, de 2005 a 2009, com sucesso o cargo de Secretário de Educação e Cultura de Taboão da Serra, município com 240 mil habitantes na região metropolitana de São Paulo. Foi pioneiro na ampliação do ensino fundamental para nove anos, trouxe o SENAI para a cidade e contratou a USP para preparar os professores do município. Criou novas escolas e implantou um grande programa de inclusão digital (aulas de informática e inglês para 10 mil pessoas, incluindo os pais e irmãos mais velhos dos alunos). O seu Programa de Interação Família-Escola (professores visitam a família dos alunos) ganhou o Prêmio Objetivos de Desenvolvimento do Milênio Brasil – ODM Brasil 2007.
No Conselho Nacional de Educação, exerceu por dois mandatos a presidência da Câmara de Educação Básica, sendo reconduzido ao cargo em 2008. É autor de vários Pareceres importantes na área da valorização do magistério, da educação à distância e propondo a inclusão da filosofia e sociologia no currículo do ensino médio. Em junho de 2010, deixa a presidência do Conselho, mas permanece como conselheiro.
É Presidente do Instituto Brasileiro de Sociologia Aplica – IBSA. Sociedade civil sem fins lucrativos, dedicada a estudos, pesquisas, programas e projetos em políticas sociais.
Militante da democracia, da liberdade, da justiça social e da causa nacional, Cesar Callegari sempre participou de todos os movimentos e lutas contra a ditadura militar e pelas liberdades democráticas.